Imigração da Família Nastari
Constam dos arquivos do Memorial do Imigrante, que CARLO NASTARI chega no Porto de Santos em 16/01/1888 no Vapor "Nápoles", aos 24 anos de idade..

O bairro da Vila Mariana foi o local escolhido para viver, e onde se encontram até hoje muitos descendentes da Família Nastari.
Em 1887 começou a a funcionar no bairro da Vila Mariana o Matadouro Municipal, que antes funcionava no bairro da Liberdade. Deste modo, são atraídos grande número de italianos - grande parte da província de Salerno - que se instalam nas ruas Rio Grande, França Pinto, Humberto I, Joaquim Távora, Álvaro Alvim e adjacências.
A construção do matadouro é um período, considerado pelos arquitetos, como a “segunda construção de São Paulo”. Isto porque o prédio, revestido com tijolos aparentes, marca o fim das construções em taipa de pilão (parede de barro ou de cal e areia, com estacas de tábuas de madeira). Sua inauguração foi um grande acontecimento e com muita pompa, festa e discursos, como relata o Correio Paulistano, de 06 de janeiro de 1887:
“Realizou-se ontem a inauguração do novo matadouro, sito no arrabalde de Villa Mariana. Às duas da tarde, partiu da Rua Vergueiro um comboio da Companhia Carris de Ferro de Santo Amaro, conduzindo o excelentíssimo presidente da província, vereadores, representantes da imprensa, outras pessoas gradas e uma banda de música, chegando todos ao novo matadouro às três horas e um quarto...".
O memorialista Pedro Domingos Masarolo descreve, com riqueza de detalhes, a agitação que tomava conta das ruas do bairro, logo após a inauguração do matadouro: “As boiadas para o corte vinham do Ipiranga e outras da Lapa. As que vinham do Ipiranga eram descarregadas nessa estação e depois, pela Estrada do Vergueiro, Ruas Conde de Irajá e Domingos de Moraes, entravam pela Sena Madureira até as mangueiras (currais), que ficavam próximas ao Matadouro; ali, aguardando o dia do sacrifício”.
A passagem das boiadas pelo bairro eram sempre um acontecimento. Os bois, já cansados pela viagem de trem, vinham pela estrada espavoridos como uma avalancha. O povo, ao grito (“a boiada”), corria e se escondia atrás do primeiro cercado que encontrasse à frente ou entrava na primeira porta que achasse aberta.
O comércio de miúdos de boi era feito por meio de carroças apropriadas, fato que inspirou a nova identidade visual da Casa de Carnes Nastari. A maioria torna-se comerciantes de MIÚDOS e passam a ser chamados de "tripeiros", Com o aumento da capacidade de matança do Matadouro Municipal, e maior produção de miúdos, atraiu cada vez mais Imigrantes Italianos.
O antigo e saudoso morador Nuncio Nastari,
descreveu em suas palavras, sobre o bairro e os “Tripeiros”:
“Os Italianos que se instalaram em Vila Mariana eram quase todos oriundos da Província de Salerno e mais especificamente daquela parte montanhosa conhecida por Cilento, e a grande maioria de Castellabate, terra que deu os natais ao grande pioneiro da indústria nacional, o Conde Francisco Matarazzo.
Todos, ou quase todos se entregaram de corpo e alma, seja como donos ou como empregados, ao comércio de miúdos e passaram a constituir a classe dos “tripeiros”.
O comércio dos miúdos tornou-se um negócio lucrativo e se todos os “tripeiros” tivessem observado um regime de economia, não vai nenhum exagero ao afirmar-se que todos seriam riquíssimos.
Os “tripeiros” cilentanos trouxeram de suas aldeias e cidades, todos os costumes e todas as usanças, e a “canzone cilentana” era o prato preferido em todas as reuniões festivas, como casamentos, batizados, aniversários, festas religiosas, etc. Os costumes italianos fazem do bairro um lugar de festas: bailes, encontros no largo da Vila Mariana, jogo de bocha e cartas e os inesquecíveis carnavais.
(*) Escrita pelo Sr. Núncio Nastari em 14 de abril de 1970
Extraido do livro: O Bairro da Vila Mariana de Pedro Domingos Masarolo – Prefeitura Municipal – Secretaria de Educação e Cultura – departamento de Cultura Série História dos Bairros de São Paulo – VIII
E assim a família se tornou tradicional no ramo de MIÚDOS, sob a administração do saudoso SERGIO CARLOS NASTARI mantendo até hoje a CASA DE CARNES NASTARI, no MERCADO MUNICIPAL PAULISTANO.

Documento do Memorial do Imigrante

Matadouro Municipal | hoje Cinemateca

